Sua pele não está bonita? Como está a saúde do seu intestino?

Na década de 1930, os dermatologistas John H. Stokes e Donald M. Pillsbury propuseram um mecanismo pelo qual a pele é influenciada pelo estado emocional e pelo trato gastrintestinal. Esses autores correlacionaram depressão e ansiedade com mudanças da microbiota intestinal, que por sua vez refletem em aumento da permeabilidade intestinal e contribuem para inflamação local e sistêmica, o que desencadearia alterações de pele como eritema, urticária e dermatite.

A microbiota da pele é constituída por bactérias residentes, como aquelas da espécie Proprionibacteria (P acnes, P avidum e P granulosum), bem como por bactérias transientes, tais como Staphylococcus aureus, Escherichia coli e Pseudomonas aeroguinosa. Essa microbiota residente atua modulando positivamente a resposta imunológica e controla a proliferação de bactérias patogênicas, que por sua vez se relacionam com processos inflamatórios na pele.
Entretanto, sob circunstâncias de desequilíbrios orgânicos como alterações imunológicas, hormonais e traumas, a microbiota residente pode adquirir um perfil patogênico, exemplificado pelo supercrescimento de Propionibacterium acnes.

Neste sentido, estudos sugerem que o desequilíbrio da microbiota, processo denominado disbiose, no intestino, pode refletir negativamente sobre a microbiota da pele. A disbiose intestinal encontra-se intimamente relacionada com o comprometimento da
absorção de macro e de micronutrientes, visto que o excesso de bactérias no intestino promove competição por nutrientes, comprometendo a biodisponibilidade de vitaminas e minerais, como o zinco. Sabe-se que a deficiência deste mineral se associa com redução da capacidade imunológica, prejuízo no metabolismo de lipídios na pele e hiperqueratose, resultando em maior formação de comedões.

Além disso, as bactérias patogênicas conhecidamente produzem metabólitos tóxicos para o organismo, causando danos aos enterócitos e provocando aumento da permeabilidade intestinal. Como consequência, tem-se aumento da translocação de lipopolissacarídeos (LPS) e de outros fragmentos celulares bacterianos, acúmulo de toxinas endógenas no organismo e alteração da resposta imune, visto que há perda capacidade da microbiota de modular a expressão de proteínas inflamatórias e que regulam a sobrevivência e a apoptose das células da barreira mucosa. Tremellen e Pearce (2012) também sugerem que o desequilíbrio da microbiota intestinal associado ao processo inflamatório desencadeado, resulta em ativação de macrófagos em diversos tecidos, como o adiposo, o hepático e o muscular, levando à liberação de TNF-a e iniciando um processo de resistência à insulina. Esse estado de hiperinsulinemia gera produção excessiva de andrógenos e reduz a síntese hepática de SHBG (globulina ligadora de
hormônios sexuais), permitindo maior concentração de andrógenos livres e disponíveis, que por sua vez contribuem para o processo da acne. Embora a relação entre a disbiose intestinal e a acne tenha sido pouco investigada, estudos recentes indicam que o supercrescimento bacteriano no intestino delgado é 10 vezes mais prevalente em indivíduos com acne rosácea quando comparados a indivíduos saudáveis.

Desta maneira, destaca-se a importância em se manter a saúde intestinal, com destaque para a manutenção da microbiota probiótica, com intuito de se minimizar a acne. Nesse sentido, o uso de prebióticos e de probióticos apresenta-se como boa estratégia para modular positivamente a microbiota intestinal e cutânea. Os probióticos são definidos pela Organização Mundial da Saúde como “microoganismos vivos que, quando administrados em quantidades relevantes, conferem benefícios ao hospedeiro”, e para tanto precisam produzir substâncias antimicrobianas que favorecem a formação de microbiota saudável, devem ser resistentes à passagem pelo trato gastrintestinal, apresentar boa capacidade de adesão às mucosas. Já os prebióticos, descritos como ingredientes fermentáveis que permitem mudanças específicas na composição e na atividade da microbiota do trato gastrintestinal, agregando benefícios ao hospedeiro, caracteristicamente privilegim seletivamente a sobrevivência de bactérias probióticas, especialmente Bifidobactérias e Lacobacillus.

Os mecanismos associados à presença de probióticos no trato gastrintestinal e seus benefícios para a pele, envolvem as mudanças provocadas por eles no sistema imunológico, especialmente modulando as células T helper 1 (Th1) na mucosa do trato gastrintestinal, que subsequentemente influencia a resposta imunológica em outros tecidos. Associado a esse processo, a atividade dos probióticos também se relaciona com redução de estresse oxidativo e da liberação de citocinas inflamatórias na pele, principalmente interleucina-1-alfa.

A microbiota intestinal sofre grande influência da dieta. Dessa maneira, alguns estudos sugerem que uma alimentação com características ocidentais, em que há grande consumo de alimentos refinados, açucarados e gordurosos, favorece o crescimento de bactérias gram-negativas, usualmente com característica patogênica, e inibe a sobrevivência de probióticos.

A partir das informações expostas, percebe-se que a administração oral de probióticos é eficaz em melhorar a microbiota intestinal e, por esse meio, repercute em benefícios para a saúde cutânea, uma vez que minimiza o processo inflamatório e modula resposta imunológica e a microbiota da pele. Entretanto, uma vez que a microbiota intestinal é suscetível à alimentação, recomenda-se que a dieta seja composta em grande quantidade por vegetais crus, que são também fontes de prebióticos, além de substâncias antioxidantes e anti-inflamatórias, e tenha redução de alimentos industrializados em geral, que tendem a apresentar grandes concentrações de açúcares simples, gorduras e aditivos químicos.

 

 

Referências
BOWE WP, LOGAN AC. Acne vulgaris, probiotics and the gut-brain-skin axis – back to the future? Gut Pathogens 3: 1-11, 2011

TANRIOVER MD, AKSOY DY, UNAL S. Use of probiotics in various diseases: evidence and promises. Pol Arch Med Wewn. 122 Suppl 1:72-7, 2012.

SCHNOPP C, MEMPEL M. Acne vulgaris in children and adolescents. Minerva Pediatr 63(4): 293-304, 2011

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